quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Qual a diferença entre fé e medo?



Qual a diferença entre fé e medo?
 

Nenhuma.
Ambos são acreditar em algo que não existe ainda.

Todas as vezes em que você duvidar de que é capaz de viver seus sonhos lembre-se de que absolutamente nada pode ser mais forte do que um desejo verdadeiramente oriundo do seu coração.
Acredite no seu coração. Acredite na sua verdade. E sempre que começar a achar que seu medo ou sofrimento são grandes demais, não se esqueça: pelo menos uma vez na história da humanidade, alguém mais já viveu exatamente o que você está vivendo. Todas as dores da humanidade são isso: dores da humanidade, combate entre mente e coração, eu e ego, amor e medo.
Sintonize-se com o amor, preocupe-se apenas com isso. Vá adiante. Lembre-se: você pode estar tão perto de onde quer chegar que, talvez, a felicidade seja só seguir em frente.


- Flávia Melissa

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NÃO TENHA VERGONHA. VOCÊ ESTÁ NO CAMINHO CERTO.




NÃO TENHA VERGONHA. VOCÊ ESTÁ NO CAMINHO CERTO.

Não tenha vergonha de dizer que acredita no seu futuro, que deseja trabalhar muito para vencer, que deseja construir uma família, que é fiel em seu relacionamento e que acredita no Brasil apesar de todos os seus problemas.
Não tenha vergonha de dizer que devolve um troco errado, que é uma pessoa de palavra, que não sonega impostos e que acredita no ser humano apesar de algumas decepções já vividas. 
Não tenha vergonha de dizer que você está bastante entusiasmado com os seus projetos, que acredita que fará diferença na vida de muitas pessoas, que acredita que pode contribuir com a mudança do mundo, melhorar a vida de muitas famílias e deixar um legado para as próximas gerações.
Por incrível que pareça, com a crescente inversão de valores presente nesta sociedade hipócrita, todos esses atributos nobres acabaram se tornando ultrapassados, cafonas e piegas. Os que têm a coragem de assumir este estilo de vida publicamente geralmente são alvo de risadas, chacotas, além de tachados de bitolados, iludidos e bobalhões, já que os descolados de plantão costumam ter um comportamento bem diferente. Se você costuma ser alvo dessas críticas por causa de suas escolhas, parabéns! É sinal que você está no caminho certo. Além disso, prepare-se para, daqui a alguns anos, receber alguns desses descolados em seu escritório, carregando um sorrisinho amarelo nos lábios, para lhe pedir emprego...


Por: Geração de Valor

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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

R$935 mil para transformar caverna em lar



O inglês filho de italianos Angelo Mastropietro, hoje com 38 anos, tinha 22 quando se mudou para a Austrália tentando fazer fortuna. Depois de conquistar seu objetivo, voltou para casa com um plano bem diferente em mente: transformar uma caverna que visitou em sua juventude em um lar.
Em 2007, o empresário foi diagnosticado com esclerose múltipla, uma doença degenerativa ainda sem cura, o que fez com que ele passasse um longo período paralisado. Ele afirma que passou esse tempo repensando a respeito do que realmente era importante em sua vida. Angelo decidiu que queria estar em um lugar em que se sentisse feliz e saudável e deixar o agitado mundo corporativo para trás.
A oportunidade para fazer isso surgiu em uma viagem para a Inglaterra em 2010, quando ele passou por uma propriedade com uma caverna abandonada na floresta Wyre, em Worcestershire. A região idílica supostamente inspirou J.R.R. Tolkien a criar a Terra-Média. A caverna com quatro cômodos rudimentares havia sido usada como habitação por mais de 300 anos, mas foi completamente abandonada no final dos anos 1940. O britânico já havia estado no local antes, quando se abrigou de um temporal na mesma caverna em 1999.
Ele então decidiu voltar para a Inglaterra, comprar a propriedade, o que custou 62 mil libras esterlinas (cerca de R$ 358 mil), e transformar aqueles cômodos escavados na rocha em seu lar. Angelo impôs a si mesmo completar o projeto em nove meses, com um orçamento de 100 mil libras (cerca de R$ 577 mil), fazendo a maior parte do trabalho sozinho, mesmo com as limitações de sua doença. Mais de mil horas de escavação e 80 toneladas de pedras depois, você pode conferir o resultado na galeria abaixo.













Fonte: Site Mega Curioso 

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O tamanho das pessoas



Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...
Uma pessoa é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amor.
Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você.
E pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande...
É a sua sensibilidade, sem tamanho...


- William Shakespeare

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Trecho de "Crônica de Martha Meideiros de 2006"



"A morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta ideia:


MORRER!!!


A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente... De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis.
Qual é? Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe... Dance..."



- Martha Meideiros

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O primeiro LIVRO a gente nunca esquece...


"Não era bem um livro, desses com capa e páginas que  folheamos e que se abrem em V.
Foi meu presente de Natal. Tinha sete anos e estava  concluindo a primeira série. Meu pai retornava à nossa  casa, desempregado. Era o presente que conseguia  comprar. Nunca mais esqueci.
Uma caixinha amarela com um título: "1001 histórias". Abria como um envelope, e, dentro, muitas folhas brancas, impressas dos dois lados. Eram grossas como  fichas. Sempre iniciavam com a indicação do CAPÍTULO, indo do Capitulo I ao Capítulo X; mas, havia dez  capítulos de cada um: dez capítulos I, dez capítulos II e, assim, sucessivamente. O Capítulo I sempre iniciava  com "Era uma vez..." e o Capítulo X, finalizava sempre com ... "E foram felizes para sempre".  Assim, podia combinar cada folha - ou capítulo - como quisesse, sempre seguindo a sequência dos capítulos de  um a dez, e surgia uma nova história.
Não era uma grande literatura. Eram enredos simples inspirados nas  clássicas histórias de princesas, príncipes e castelos. Mas, me fascinava aquele "protagonismo" na criação da  história. E o principal, lia muito para confirmar se qualquer mistura possibilitava uma sequência que fazia  sentido. Queria chegar a 1001 histórias. Não sei se matematicamente chegaria a esse número. Mas não importava. Guardava aquela caixinha como se contivesse muitos mistérios e como se, somente eu, soubesse revelá-los.
Sei, hoje, que foi um presente de enorme significado -  minha iniciação nos prazeres da leitura."


- Zoara Failla

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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A casa sem fim 2 - Maggie (Creepypasta)


Já se fazia três semanas que eu não ouvia noticias de David. Nos seis meses que namoramos, ficamos no máximo três dias sem nos falar. Não havia nada fora do comum na última vez que o vi, ele tinha mencionado que estava indo verificar uma coisa que um amigo lhe contou. Naquela noite eu ainda recebi um SMS um pouco estranho de David, mas não era de seu número. Era uma mensagem de apenas seis palavras.

“Casa sem fim, não venha! David.”


Tinha alguma coisa errada. Depois que li esse texto me senti enjoada, como se eu tivesse visto algo que não devia. Eu decidi logar na conta de Messenger dele para ler suas últimas conversas. As mais recentes era com Peter, um dos seus melhores amigos, um viciado e burro, mas pelo menos ele podia ter algumas informações sobre onde David poderia estar. Assim que entrei, imediatamente recebi mensagens.

- David? Puta merda cara, você me deixou preocupado. Pensei que tivesse ido para aquela casa.

- O que você quer dizer?

- A casa sem fim, cara, eu podia jurar que você tinha ido para lá.

Casa sem fim, esse cara sabia o que estava acontecendo.

- Pois é... Eu não consegui encontrá-la. Talvez eu tente ir lá amanhã. Me passa o endereço de novo?

- De jeito nenhum! Você já me preocupou demais, eu estive naquele lugar, acredite em mim, você não vai querer ir naquele lugar.

- Peter, aqui é a Maggie.

- Espere... O que? Onde está o David?

- Eu não sei, pensei que você poderia saber, mas aparentemente não.

- Puta merda! Merda, merda, merda!

- O que foi? Sério Peter, você precisa me dizer o que está acontecendo.

- Eu acho que ele entrou naquela casa. Não é longe, talvez quatro milhas abaixo, em Terrence. Seguindo a estrada marcada e virar a direita. Puta merda! Ele se foi!

- Não, eu não acho que ele se foi.

- O que você está pensando em fazer?

- Eu vou trazê-lo de volta.


Eu parti para a procura dele na mesma noite em torno das oito. Não havia um único carro em toda viagem, e quando virei para uma rua sem nome, vi uma placa com uma seta.

“Casa sem fim// Aberto 24 horas”


Minha respiração estava ofegante desde que saí de casa, e ver a tal casa sem fim não ajudou em nada. Não havia outros carros ao redor, o que me fez pensar que talvez não estivesse aberto. A luz da varanda da frente iluminou a área circundante, e pelas janelas se percebia que as luzes estavam acessas do lado de dentro. Eu estacionei meu carro e caminhei até a porta da frente.

O lobby era normal, e como eu previ, não havia ninguém lá. Todas as luzes estavam acesas, mas ninguém estava lá. Apenas um banner dizendo:


“Quarto 1 por aqui. Mais oito a seguir. Alcance o final e você vence!”


Isso por si só não deu medo, mas o que me causou um frio no estômago, foi um rabisco logo abaixo em vermelho escrito à mão:
“Você não vai conseguir salvá-lo”. Devo ter ficado no lobby por uma hora. Eu estava congelada. Eu não sabia como continuar. Será que deveria ir até aquela porta? Será que eu deveria chamar a polícia? Depois de ler o aviso eu pensei um pouco mais, eu sou uma garota de estatura baixa e muito fraca, eu não seria a pessoa ideal para lutar contra um possível psicopata que estivesse mantendo o David como refém. Eu decidi chamar que chamar a polícia era a melhor opção, então coloquei a mão no meu bolso e abri meu celular para ligar. Sem sinal. A casa devia estar bloqueando o sinal, ela fica basicamente no meio do nada. Caminhei em direção à entrada, imaginando que eu teria sinal do lado de fora. Cheguei à maçaneta, virei e nada. Eu sacudi com mais força. Ela estava trancada pelo lado de fora. Bati minhas mãos contra a porta e gritei, mas ninguém podia me ouvir. Eu sabia que era inútil, não havia ninguém aqui exceto eu. Então eu senti uma vibração no meu bolso. Abaixei-me e olhei para meu celular. Uma mensagem não lida. A princípio eu fiquei feliz por ter sinal, talvez fosse uma mensagem de David que ele estivesse bem. Era uma mensagem de um número desconhecido, eu pressionei para ler a mensagem e quase deixei o celular cair.

“Você não pode salvar nem mesmo a si mesma.”


Meu corpo inteiro estava tremendo. Eu queria sair dessa casa. Eu estava presa lá. Meu celular estava sem serviço em uma sala sem saída. Meus olhos percorreram a casa e pousou na porta do outro lado da sala com um número “1” na frente, parecia como uma porta de hotel.

Eu caminhei até ela.
Eu estava a poucos centímetros e coloquei meus ouvidos contra a madeira para tentar ouvir. Tudo que eu ouvia era uma música distante de Halloween. Apenas um instrumental assustador que você ouviria em qualquer casa mal assombrada falsa. De repente eu fiquei um pouco mais calma. David sempre foi conhecido por suas pegadinhas. Ele me contava como sempre ia fundo quando queria pregar alguma peça em alguém nos tempos da escola. De alguma forma, um sorriso se formou no meu rosto e eu abri a porta sem medo. Entrando no primeiro quarto, meus medos aliviaram ainda mais. O quarto era uma tentativa completamente fracassada de uma casa mal assombrada. Em cada canto havia um espantalho, mas não chegavam nem perto de ser assustador. Era do tipo das festas de escola, com grandes rostos sorridentes. Fantasmas de papel pendurados no teto e um ventilador no canto. Ao lado de um dos espantalhos, novamente tinha a única porta na sala e estampado na parte da frente, semelhante à da primeira porta, era um grande número “2”. Eu ri e caminhei para ela.
Quando eu abri a porta do quarto “2”, eu não podia enxergar dois palmos à minha frente. Ele foi completamente preenchido com uma névoa cinzenta que cheirava a borracha. Imaginei que tinha alguma máquina de fumaça no quarto que devia estar ligada já há muito tempo e parecia não haver janelas para toda essa fumaça sair.
Caminhei lentamente para frente e soltei um gritinho. Eu tinha colidido em linha reta com um grande robô do Jason Vorhees. Seus olhos brilhavam na cor vermelha e segurava um facão de cima para baixo como se estivesse fazendo um movimento para atacar alguém. Meu coração estava disparado e se alguém estivesse comigo eu estaria completamente envergonhada. Eu cobri minha boca e fiz meu caminho passando pelo Robô do Jason, o nevoeiro parecia estar aumentando, então eu finalmente avistei na minha frente a porta para o quarto número “3”. Coloquei minha mão na maçaneta e rapidamente soltei, ela estava extremamente quente, eu coloquei minha mão na porta de madeira e ela também estava quente, aproximei meu ouvido para tentar ouvir do outro lado da porta um incêndio talvez, mas não ouvi nada. Pensei que era apenas um aquecimento elétrico proposital. Envolvi a maçaneta com um canto do meu vestido e virei o mais rápido que pude e me atirei no quarto “3”. Não havia fogo. Apenas trevas e muito frio.
Esse terceiro quarto não era como os outros em nenhum aspecto.

Naquele momento, eu sabia que algo não estava certo. Eu tentei fazer alguma coisa, mas eu não conseguia nem ver minhas mãos segurando a maçaneta da porta que agora não estava lá. Eu estava presa. Como se eu tivesse dado meia volta na escuridão, mesmo que eu não tivesse movido um músculo desde que entrei. Naquele momento, uma luz no teto acendeu. Um único holofote apontando diretamente para baixo, iluminando uma pequena mesa, e sobre esta mesa havia uma lanterna.
Mesmo que eu não conseguisse enxergar nem mesmo o chão onde eu estava pisando, eu segui em direção à mesa iluminada. Quando peguei a lanterna notei uma pequena etiqueta fixada nela dizendo.

“Do gerente - Para Maggie”.


No momento em que eu terminei de ler, a luz acima de mim quebrou e outra vez, fiquei no escuro. Eu me atrapalhei com a lanterna por um segundo antes de conseguir ligá-la.

Pelo que parecia vir de todas as direções, um zumbido me cercou. Meu coração estava acelerado e eu comecei a girar no lugar, lançando a luz da lanterna ao meu redor. Não havia nada no quarto, mas depois de um tempo notei algo aterrorizante. Poderia ter sido apenas minha imaginação, mas eu podia ver uma figura sempre fugindo seja lá pra onde eu apontava a luz. Comecei a entrar em pânico. Fui me afastando da mesa sem saber para qual direção eu estava indo.
O zumbido foi ficando mais alto e depois eu comecei a sentir a presença do que quer que fosse que estava desviando da luz. Minhas mãos tremiam descontroladamente enquanto eu freneticamente brilhava a lanterna para qualquer direção. Aquilo estava sempre lá, escapando de volta para a escuridão, mas cada vez mais perto. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu pensei que iria largar a lanterna por eu tremia muito, até que eu vi. A luz apontada diretamente para um número “4”. Ele foi escrito em um pedaço de papel e colado com fita adesiva na porta. Eu corri. Corri o mais rápido que pude com a lanterna apontada diretamente para minha frente. Eu podia sentí-lo atrás de mim. O zumbido foi ficando mais alto e já podia sentir uma respiração no meu pescoço. Eu estava correndo e faltavam mais alguns metros para chegar. Em apenas um movimento eu peguei a maçaneta, virei e bati a porta atrás de mim.
Eu estava no quarto número “4”.

Eu estava lá fora. Eu não estava mais na casa. O que me esperava depois de abrir a porta da sala “4” parecia ser uma caverna. Olhei para o chão e notei algo estranho e perturbador. O chão não era feito de grama, ou pedra, ou sujeira, eram pisos de madeira. Era o mesmo piso dos quartos anteriores. Este era o quarto número “4”. De alguma forma eu ainda estava dentro da casa.
Havia tochas montadas nas paredes rochosas ao meu lado, e para além da caverna estava escuro como o breu. As tochas pareciam que podia ser retiradas da parede por baixo, então caminhei até a mais próxima e retirei para iluminar meu caminho. Meu corpo está suando, eu fiz meu caminho lentamente para dentro da caverna. O zumbido se foi, espero que para sempre. Depois disso não ouvi barulho algum na caverna, apenas uma pequena brisa. A caverna parecia se estender eternamente, eu já estava andando nela há horas, até que vi uma luz azul fraca. Eu andei até ela, com cautela, mas um pouco acelerada. A luz era uma abertura à extremidade do túnel. Eu cheguei ao fim dessa caverna, mas não havia mais chão adiante, o fim era um penhasco e não havia outro caminho para seguir. Eu olhei de volta para trás para a caverna de onde eu vim, eu sabia que não havia volta. Eu fui até a borda do penhasco e olhei para queda abaixo. Eu senti um calafrio percorrer meu corpo inteiro. O que eu vi foi um oceano, água ao redor com mais nada a minha vista. Era uma queda de centenas de metros, com uma formação de rochas. Meu corpo congelou quando percebi que as rochas lá embaixo formavam um “5”.
Assustada eu me afastei da borda. Eu odiava alturas. Eu me afastei até ser barrada por um muro que não estava lá até pouco tempo atrás; Eu me virei ainda mais assustada com uma visão aterradora. Não havia mais caverna, eu estava cara a cara com uma parede sólida. Eu me mantinha dizendo que ainda estava na Casa Sem Fim.

Eu tinha que estar!

É evidente que não havia montanhas na cidade! Mas parecia tão real.
Olhei novamente para o precipício. Não podia ser real. Essa casa estava mais confusa agora. Mas o que ela esperava que eu fizesse agora era demais. Eu sabia o que aquelas rochas lá em baixo significava. Essa era a entrada para o quarto número “5”, mas não havia escadas nem nenhum caminho para chegar até lá embaixo. A casa queria que eu saltasse. Eu caí no chão me encolhendo. Eu não podia fazer isso, não conseguiria saltar de um penhasco de centenas de metros em uma formação rochosa irregular. Minha mente estava dividia em duas. Eu sabia que ainda estava dentro da casa, mas tudo que eu via ao meu redor me dizia o oposto. Eu fiquei lá no chão de madeira por um tempo, naquele momento eu já tinha perdido toda a noção do tempo.
Depois do que pareceram semanas, eu finalmente me levantei e fiz meu caminho até a borda do penhasco e olhei para baixo.
As rochas formando o “5” pareciam zombar de mim. A casa sabia que eu não conseguiria evitar provocações. Então aquele zumbido retornou, um zumbido baixo e distante, parecia vir de trás de mim, ressoando dentro da montanha. Eu não sei o que deu em mim, mas depois de ouvir esse som, algo dentro de mim se iluminou. Eu fechei meus olhos e saltei.
O vento da queda contra meu rosto prendia meu fôlego e um medo profundo tomou conta de mim.
Eu ia morrer. Eu ia colidir com as pedras e morrer. Elas iam me partir em mil pedaços e eu ia morrer. Eu não me atrevi a abrir meus olhos, apenas continuava caindo desesperada. O vento forte contra meu rosto continuava e o zumbido era agora ensurdecedor. Então tudo acabou.
Eu não estava mais em queda, eu nunca atingi as pedras. Eu abri meus olhos e olhei em volta. Eu estava de pé sobre os pisos de madeira familiar da casa. O zumbido se foi e o silêncio tomou seu lugar. Eu consegui! Eu estava no quarto “5”. Eu não sei como isso aconteceu, mas eu estava lá. O sentimento de medo se foi, e eu estava incrivelmente feliz por estar viva. Depois de alguns momentos me recompondo e decidi olhar em volta para o resto da sala.
Minha felicidade durou pouco.
O quarto estava vazio, as paredes combinavam com o chão, e o teto combinava com as paredes, e nas paredes não havia portas ou janelas. Eu estava em uma caixa selada.
Eu não sabia como cheguei aqui, mas não havia forma de sair! Naquele momento eu me perguntei se David tinha estado nesta sala, eu me perguntei se ele tinha saltado do penhasco e acabou nessa sala. E se ele fez, significa que ele conseguiu sair. Ele não estava aqui, eu estava sozinha. Ele conseguiu sair e eu faria o mesmo. O pensamento de que David conseguiu escapar era minha única fonte de confiança que encontrei. Eu estava indo para encontrar um jeito de sair dessa sala, encontrar David e tira-lo para fora daqui. Eu andei por todo quarto, perímetro por perímetro passando minhas mãos pelas paredes para sentir qualquer coisa diferente que pudesse revelar a saída. Nada. As paredes eram impecáveis, apenas alguns arranhões, mas nada de uma passagem secreta. Comecei a bater em alguns lugares aleatórios nas paredes, Mas tudo era completamente sólido. A confiança começou a diminuir, eu estava começando a ficar sem ideias. E foi ai que ela falou comigo.

- Maggie, você não deveria ter vindo aqui, Maggie.


Minha pele quase saltou de mim se fosse possível. Eu ainda estava de frente para a parede e a voz tinha vindo do meio da sala. Era uma voz de uma garotinha, pelo menos era o que parecia.
Eu me virei lentamente. Eu estava certa, era uma menina loira, não mais que sete anos de idade, com os olhos azuis e um longo vestido branco. Ela sorriu para mim e falou novamente.

- Mas agora que você está aqui, vamos jogar um jogo.


Havia algo horrível sobre aquela menina. Ela não era assustadora como aquelas garotas de filmes de terror japoneses, ela parecia completamente normal. Se eu a visse na rua passaria despercebida. Mas olhando em seus olhos, senti um terror completo. Saltar do penhasco foi assustador, mas eu pularia de vinte vezes mais alto do que ficar sendo encarada por um minuto com aquele olhar em seus olhos sem alma. Depois de um momento de olhar, eu finalmente falei.


- Que jogo? Quem é você? – Eu murmurei.

- Se você perder, você morre.

- E se eu ganhar?

- Ele morre.


Meu coração se afundou, eu não podia acreditar no que eu estava ouvindo, mas eu sabia que ela estava dizendo a verdade.


- O que vai ser? – Ela sorriu

- Nada – Eu não sei onde encontrei coragem para responder esta criança demônio, mas eu não vim de tão longe simplesmente para deixar David morrer, e se eu morresse tudo isso foi em vão.


Eu escolhi não jogar.
Mas então eu vi. A razão pela qual a menina me aterrorizava. Ela era mais do que uma criança. Olhando para ela, eu também vi o que parecia ser um homem grande coberto de fumaça, com a cabeça de um carneiro. Era uma visão horrível. Eu não podia ver um sem deixar de ver o outro. A menina ficou a frente de mim, mas eu sabia qual era sua verdadeira forma. Foi a pior visão que eu já tinha visto.

- Péssima escolha – E com isso ela se foi.


Eu estava sozinha novamente em uma sala vazia e silenciosa. Só que dessa vez algo foi adicionado. Uma pequena mesa apareceu do nada, como se estivesse lá o tempo todo. Havia algo sobre ela, mas eu não podia ver de onde eu estava. Fui até a mesa e olhei par ao pequeno objeto.
Era uma pequena navalha, como uma que você encontraria em um estilete. Estendi a mão e peguei então um grito saiu de minha boca. Quando estiquei minha mão, vi algo que nunca existiu antes. Havia uma marca no meu pulso, parecia uma tatuagem verdadeira com um único número “6”. Eu olhei de volta para a navalha e notei uma etiqueta fixada nela dizendo:

Do Gerente - Para Maggie
*Pensei que precisaria disso*


Depois de ler a nota, eu comecei a chorar incontrolavelmente. Lágrimas pesadas corriam pelo meu rosto de uma forma que nunca aconteceu em toda minha vida. Eu caí no chão, permaneci lá por horas chorando. Não sabia mais se se tratava sobre David ou sobre me manter viva, não havia mais portas nessa sala, eu ainda estava presa. Mas ainda não era por isso que eu estava triste. Eu estava em depressão mais profunda possível. Completa depressão sem emoção. Eu me sentia vazia, e arranhei meu caminho até a mesa. Meus olhos caíram sobre a navalha, eu a peguei.
Eu ia me matar! Eu não podia lidar mais com isso! David provavelmente já estava morto! Eu estava presa aqui! Este era o fim! Eu pressionei a lâmina contra meu pulso, logo acima do “6” que tinha aparecido na minha pele. Meus soluços voltaram, e eu fiquei sobre aquela dor agoniante e chorando coma a navalha pressionando contra meu pulso. David estava morto, e eu estava prestes a morrer. Nada mais importava e com um corte profundo eu passei a lâmina no braço.
Imediatamente após o corte no meu pulso, eu já não estava no quarto “5” e eu não morri. A depressão foi embora, mas eu não estava feliz. Lágrimas ainda escorriam pelo meu rosto. O quarto que eu estava era semelhante ao anterior e novamente não havia portas. Não havia qualquer lâmpada, mas de alguma forma que era capaz de ver tudo com clareza. O quarto estava completamente vazio, mas antes que eu tivesse tempo de pensar no que fazer em seguida, ele ficou escuro e o zumbido de antes voltou. Tapei meus ouvidos em protesto, era mais alto do que jamais foi, mas acabou em um momento e as luzes voltaram, só que desta vez algo foi adicionado ao quarto.
E então eu gritei. Lá no meio da sala, amarrado por correntes, completamente nu estava David. Parecia que ele foi torturado, cheio de marcas de facadas no peito e braços.

-DAVID! – Eu corri até ele o mais rápido que pude.

Ele estava consciente, eu vi seu peito se encher e esvaziar, ele estava respirando, mas não estava falando. E foi ai que eu vi o que estava gravado em seu peito.

Eu caí de joelhos quando vi.

Um “7” olhou para mim como se tivesse olhos.

Ouvi David tentar falar, e fui até mais perto do que conseguia.

- David! David, você pode me ouvir?!

- Maggie... O que você tá... O que você tá fazendo aqui? – Sua voz era suave, mas ele estava falando e eu era grata por isso.

- David! Estou tentando salvá-lo. Como posso te soltar? – Olhei ao redor da sala para tentar encontrar qualquer tipo de chave, mas tudo que encontrei foi uma faca pelos cantos. O metal era muito grosso, era uma faca mortal. Voltei para David, parecia que ele estava à beira da morte, então senti meu bolso vibrar. Eu me assustei e peguei o telefone no meu bolso. Como eu suspeitava uma mensagem não lida. Eu abri a mensagem que dizia:


“Este não sou eu.”.


Eu não sabia o que pensar. David estava bem ali na minha frente, mas essa mensagem veio do mesmo número que me contatou. É da primeira mensagem que recebi onde David mencionou sobre a Casa Sem Fim.

- Maggie... – Eu ouvi a voz dele claramente com meus ouvidos. Parecia que a voz vinha de todos os lados. – Maggie... Você tem que ir em frente.

- O que você está falando? Como? – Eu estava cara a cara com David, ou quem quer que fosse acorrentado ali.

- Essa faca... – Ele fez um leve movimento com a cabeça em direção ao canto. – Vá buscá-la. – Eu corri e imediatamente voltei com a faca apertada em minhas mãos. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, mas eu precisava salvá-lo e faria alguma coisa...

- Agora me esfaqueie no peito.

- O que? – Fiquei chocada. David pendurado ali, olhando diretamente nos meus olhos.

- Você tem que enfiar essa faca no meio desse “7” em meu peito. É a única maneira de nos salvar.

- Não... - Eu tropecei para trás – Não, o que você está dizendo não faz nenhum sentindo!

- Maggie! – Ele estava gritando agora, seus olhos pareciam frenéticos, o lado de sua boca se curvou em um sorriso torcido. – Maggie, me apunhalar agora é o único caminho!

Olhei para a faca na minha mão, minha cabeça parecia como se tivesse sito atingida por um bastão. Eu estava perdida completamente. Eu apertei meus olhos fechados e senti a faca na minha mão.

- MAGGIE! – E com o grito e um impulso esfaqueei o peito de David.


Eu não sei o que deu em mim, eu só aceitei que era a única maneira.
Abri meus olhos e vi o rosto dele. Ele estava apavorado. Lágrimas deslizavam por suas bochechas e David me olhou nos olhos.

- Por que... Você... Fez isso...?


Ele não podia me enganar. Eu sei que não era David. Não podia ser!
Seus olhos rolaram para trás quando morreu, mas foi ai que ele mudou. O “7” em seu peito se foi, o sangue escorria no chão formando uma piscina abaixo de mim. O líquido vermelho se estendendo em todas as direções, o círculo quase encheu a sala e eu comecei a afundar. Tentei me mover, mas não conseguia. Era como areia movediça. O sangue estava até meus joelhos agora, quanto mais eu tentava lutar, mais eu afundava. Estava até meu peito agora. O corpo sem vida de David estava pendurado acima de mim, sorrindo. O sangue chegou ao meu pescoço, eu estava apavorada e em pouco tempo submersa eu caí na escuridão. Quando acordei, eu estava fora da casa. Eu podia sentir a terra fria abaixo de mim. Eu rolei para trás e olhei o céu noturno. A Casa Sem Fim erguia acima de mim, com meu carro estacionado no mesmo lugar que eu deixei. Eu não tinha certeza se deveria rir ou chorar. Eu estava fora. Levantei-me espanando minhas calças. Meu corpo ainda estava tremendo enquanto em caminhava para meu carro, mas um sentimento de mal-estar tomou conta de mim. Não havia maneira de eu ter escapado. A casa não iria me deixar ir. Algo não estava certo. Eu sabia. Eu sabia que não matei David no quarto “6”. Eu sabia que não fiz isso. Mas eu ainda não sabia onde encontrar ele. Abaixei-me para o meu bolso e peguei meu celular. Não havia mensagens não lidas. Mas tinha sinal. Eu abri e comecei a escrever uma mensagem para David. “Onde você está?”, dentro de um segundo após enviá-la eu recebi uma resposta. Eu pressionei para ler animadamente. “Quarto ‘10’, você está no ‘7’” – Então o zumbido ensurdecedor retornou. Eu saí correndo. Eu não sabia para onde estava indo, mas eu sabia que não estava lá fora. Eu ainda estava na casa. O zumbido sacudiu tudo ao meu redor. Ele balançou as árvores e o próprio ar. Eu precisava encontrar um “8”, eu precisava encontrar a próxima sala. Era minha única chance! Eu precisava encontrar o quarto número “8”. Os primeiros quartos eram óbvios, mas quanto mais eu progredia, menos claro eram onde ficava a porta para o próximo. Agora eu não fazia ideia do que eu estava procurando, eu só tinha meu celular. Eu precisava encontrar um “8”, precisava encontrar um “8”, precisava encontrar um... *Uma mensagem não lida*: “Seu endereço”. Que diabos ele quis dizer? O meu endereço? Enfiei meu telefone de volta no meu bolso, o zumbido foi crescendo cada vez mais alto. E foi ai que me toquei. O meu endereço, O meu endereço, O meu endereço...
Condomínio Florestal, 4896...

Não podia ser. Não podia Ser.
Oitavo andar. Entrei no meu carro e bati a porta. O zumbido sacudiu o metal do carro e parecia me seguir para dentro. Eu fiz o caminho para meu apartamento. Nada disso fazia sentido. Como o quarto número “8” podia ser meu apartamento? Devo ainda confiar nessa mensagem? Ela foi enviada por David, eu sei que foi. Não havia razão para não confiar nele. Demorou pouco tempo para chegar. Eu me atrapalhei com as chaves e fiz meu caminho para as escadas já que o elevador estava em manutenção. Este condomínio era enorme, subi o mais rápido que pude, passei o quarto andar, o quinto, minha cabeça estava girando, essa noite foi pesada, passei o sexto, quanto mais eu me aproximava mais longe o zumbido parecia ficar, quando cheguei ao sétimo andar eu mal podia ouví-lo mais. E quando parei em frente meu andar estava completamente silencioso. Eu estava de pé ao meu apartamento. O pequeno “8” estava ao nível dos meus olhos. Estendi a mão na maçaneta e lentamente deslizei minha chave, a porta se abriu e eu fui sugada como um vácuo, a porta bateu atrás de mim. 
Quarto número “8”, me levantei do chão e olhei em volta. Ele era idêntico ao meu apartamento. Se eu não soubesse das armadilhas da Casa Sem Fim, eu teria jurado que estava em casa e que tudo foi um sonho ruim. Meus pensamentos eram sobre David, e me perguntei o que o quarto “8” foi para ele, o que a casa lhe mostrou? Eu andava e estudava a área. Literalmente, tudo estava como eu deixei, até metade da comida chinesa ao lado da pia. Olhei para minha mesa de computador, O MSN ainda estava aberto. Fui até lá e me sentei em frente dele, percorrendo minha conversa com Peter. Olhei lá, palavra por palavra. A casa sabia de tudo isso. Para ser honesta, eu fiz o possível para não pensar sobre isso, a resposta, sem dúvida era melhor eu não saber. Eu tentei clicar fora da janela do MSN, mas não deixava. O computador travou. Tentei minimizar, nada. Tentei Ctrl+Alt+Del, nada. Tirei o computador da tomada, nada. Eu olhei para a lista de pessoas na conversa e havia dois nomes; Maggie e Gerente. O ícone de Web Cam estava verde, mas tudo que mostrava era uma parede cinza. Em seguida uma mensagem do gerente apareceu como notificação.

- Espero que tudo esteja como você deixou :)

- Quem é você? – Respondi.

- Aproveite o show :) – E com isso a câmera ligou. A câmera focou em um jovem amarrado a uma mesa de cirurgia. Ele estava completamente nu e chorando baixinho para si mesmo. A imagem não era clara, mas eu pensei reconhecer o homem deitado ali. Ele tinha cabelo curto, marrom, era alto e uma pele pálida.

- Isto é o que acontece quando as pessoas tentam me enganar :)


Foi quando eu me dei conta de quem era. Amarrado à mesa cirúrgica era Peter Terry. E ele não estava sozinho.
Eu não quero descrever o que vi naquele momento. Os gritos, os sons que Peter faziam eram diferentes que tudo que já ouvi de um ser humano. Eu não conseguia desviar o olhar. Eu queria, mas acho que era o poder daquele quarto, eu não conseguia desviar o olhar. Peter soltou um último grito de gelar a alma, mas eu não ouvi através das caixas de som do computador, o som vinha do meu quarto. Meu coração afundou quando me virei em direção ao corredor. Eu me levantei da cadeira e ainda podia ouvir os gritos que emanavam enquanto caminhava em direção a sua fonte. Cheguei à porta do meu quarto e os gritos agora foram substituídos pelo zumbido. Abri a porta devagar, eu vi dentro do meu quarto um notebook, a mesa cirúrgica com o que restava de Peter Terry espalhado pelos cantos. Mas ninguém mais estava lá. Mas um arrepio me percorreu de volta. Uma porta que não havia antes aqui com uma placa escrito “Administração”. Andei mais perto da mesa, o cheiro era horrível e dei o melhor de mim para não vomitar. Eu sabia que estava chegando ao fim. Olhei ao redor da sala. Em algum lugar aqui era a entrada para o próximo quarto. Tinha que ser. E foi mais simples do que eu esperava. Na mesma porta com a placa de Administração, um “9” se formou com as entranhas do Peter Terry. Eu me senti mal por Peter, mas eu tinha ido ao inferno naquela noite. Andei direto, passei pela mesa, peguei um bisturi longo e não dei nem uma segunda olhada para o corpo. A última porta estava lá e eu caminhei até ela. Esta noite estava prestes a terminar e eu sairia daqui junto com David. A porta se abriu com facilidade e eu atravessei.
Eu vi o que estava esperando por mim.

Era uma sala vazia, se assemelhava a uma sala de espera de um consultório médico. Havia algumas cadeiras que revestem os cantos das paredes e algumas revistas velhas no canto.
Do outro lado da sala, no lado oposto de onde entrei, havia uma única porta. Meu coração afundou quando li o rótulo impresso na madeira. Não era um número. Era uma única palavra.

“GERENTE”


Eu apertei o bisturi na mão.

- Tudo bem, eu estou me ferrando para que isso termine logo.

Eles estariam do outro lado da porta. Eu podia sentir isso. E David estaria lá! O zumbido era mais alto do que nunca. Eu podia sentí-lo dentro de mim e ficava ainda mais alto enquanto eu caminhava e quando coloquei a mão na maçaneta tudo se silenciou novamente. Virei a maçaneta e abri a porta. A sala de espera não era para nenhum consultório. Era o lobby. A entrada da casa, onde todo esse inferno começou. Só que desta vez, havia alguém atrás do balcão.
Meu coração pulou para fora do meu peito quando vi quem era.
Era Petter Terry.


- Olá Maggie.

- Peter? – Não, não era possível – Como? Por quê?

- O que você estava esperando? Um fantasma? Satanás? Alguma garotinha assustadora? – Ele estava sorrindo.

- Que merda está acontecendo aqui?

- Maggie. Vamos; Basta você pensar por dois segundos. Quem foi que disse para o David sobre este lugar?

- Você... Não...

- Quem lhe contou sobre o paradeiro de David aqui?

- Maldição Peter! Ele era seu amigo!

- Eu sinto muito Maggie, mas é assim que funcionam os negócios aqui.

-Onde ele está? Onde ele está?

- Ele está aqui com a gente na casa Maggie. E ele não vai a lugar nenhum. E nem você.


Eu não sei o que deu em mim, mas eu perdi o controle, eu pulei no balcão e empurrei Peter no chão. Peguei a cabeça dele e bati com força no chão e depois atravessei seu pescoço com o bisturi. Eu queria matá-lo. Eu tinha que matá-lo. Ele matou David. Eu não deixaria ele me matar.


- Maggie, você não pode. Sempre haverá alguém para administrar a Casa.

- Não! – Enfiei a faca na garganta e bati novamente a cabeça dele no chão. – Não haverá mais!


Ele morreu então a sala ficou escura, mas eu ainda podia sentir o bisturi em minhas mãos e a cabeça dele no chão. Não sei quanto tempo eu e o corpo dele ficamos na escuridão, mas pareceu muito tempo.
Me levantei, segurando na mesa para me equilibrar. Em seguida as luzes se acenderam. Eu podia ver as janelas em todas as salas, ainda era noite. Olhei por uma janela e vi David, ele estava andando do lado de fora, aparentemente ileso. Corri para a porta e tentei abrí-la, eu estava tão feliz. Mas a porta não abria. Eu dei o meu melhor, mas a porta não me deixava sair. Olhei por uma janela e vi David quando ele começou a caminhar pela estrada de terra. Eu descansei minha cabeça pela porta e vi. Meu estômago embrulhou.
Meu coração gelou.
Todos os pelos do meu corpo se arrepiaram. Lá, preso ao peito dele estava um crachá de identificação, com uma única palavra.

GERENTE.



- Brian Russell
(Tradução: Sigma)

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As Proezas de um Namorado Mofino



Semore adotei a doutrina
Ditada pelo rifão,
De ver-se a cara do homem
Mas não ver-se o coração,
Entre a palavra e a obra
Há enorme distinção.

Zé-pitada era um rapaz
Que em tempos idos havia
Amava muito uma moça
O pai dela não queria…

O desastre é um diabo
Que persegue a simpatia.

Vivia o rapaz sofrendo
Grande contrariedade
Chorava ao romper da aurora
Gemia ao virar da tarde
A moça era como um pássaro
Privado da liberdade.

Porque João-mole, o pai dela
era um velho perigoso,
Embora que Zé-pitada
Dizia ser revoltoso,
Adiante o leitor verá
Qual era o mais valoroso.

Marocas vivia triste
Pitada vivia em ânsia,
Ele como rapaz moço
No vigo de sua infância,
Falar depende de fôlego
Porém obrar é sustância.

Disse pitada a Marocas,
Eu preciso lhe falar
Já tenho toda certeza,
Que é necessário a raptar,
À noite espere por mim
Que havemos de contratar.

Disse Marocas a Zezinho:
Papai não é de brincadeira,
Diz Zé-pitada, ora esta!
Você pode ver-me as tripas,
Poré não verá carreira.

Diga a que hora hei de ir,
Eu dou conta do recado
Inda seu pai sendo fogo,
Por mim será apagado,
Eu juro contra minh’alma
Que seu pai corre assombrado.

Disse Marocas, meu pai
Tem tanta disposição
Que uma vez tomou um preso
Do poder de um batalhão,
Balas choviam nos ares,
O sangue ensopava o chão.

Disse ele, eu uma vez
Fui de encontro a mil guerreiros,
Entrei pela retaguarda,
Matei logo os artilheiros,
Em menos de dez minutos
O sangue encheu os barreiros.

Disse Marocas, pois bem
Eu espero e pode ir,
Porém encare a desgraça,
Se acaso meu pai nos vir,
Meu pai é de ferro e fogo,
É duro de resistir.

Marocas não confiando
Querendo experimentar,
Olhou para Zé-pitada
Fingindo querer chorar,
Disse meu pai acordou,
E nos ouviu conversar.

Valha-me Nossa Senhora!
Respondeu ele gemendo,
Que diabo eu faço agora?!…
E caiu no chão tremendo,
Oh! Minha Nossa Senhora!
A vós eu me recomendo

Nisso um gato derrubou
Uma lata na dispensa,
Ele pensou que era o velho,
Gritou, oh!, que dor imensa!.
Parece qu’stou ouvindo
Jesus lavrar-me a sentença.

A febre já me atacou,
Sinto frio horrivelmente.
Com muita dor de cabeça,
Uma enorme dor de dente,
Esta me dando a erisipela,
Já sinto o corpo dormente.

Antes eu hoje estivesse
Encerrado na cadeia,
De que morrer na desgraça,
E d’uma morte tão feia,
Veja se pode arrastar-me,
Que minha calça está cheia.

Por alma de sua mãe,
E pela sagrada paixão,
Me arraste por uma perna
E me bote no portão,
A moça quis arrastá-lo,
Não teve onde pôr a mão.

Ela tirou-lhe a botina,
Para ver se o arrastava,
Mas era uma fedentina,
Que a moça não suportava,
Aquela matéria fina
Já todo o chão alagava.

Disse a moça: quer um beijo?
Para ver se tem melhora?
Ele com cara de choro,
Respondeu-lhe, não, senhora,
Beijo não me salva a vida,
Eu só desejo ir-me embora.

Então lhe disse Marocas,
Desgraçado!… eu bem sabia,
Que um ente de teu calibre,
Não pode ter serventia.
Creio que fostes nascido
Em fundo de padaria.

Meu pai ainda não veio
Eu hoje estou sozinha,
Zé-pitada aí se ergueu,
E disse, oh minha santinha!
A moça meteu-lhe o pé,
Dizendo: vai-te murrinha!

E deu-lhe ali uma lata,
Dizendo: está aí o poço,
Você ou lava o quintal
Ou come um cachorro ensolso,
Se não eu meto-lhe os pés
Não lhe deixo inteiro um osso.

Disse ele, oh! meu amor!
O corpo todo me treme,
Minha cabecinha está,
Que só um barco sem leme,
Parece-me faltar o pulso,
O Anjo da Guarda geme.

Então a moça lhe disse:
O senhor lava o quintal
Olhe uma tabica aqui!…
Lava por bem ou por mal,
Covardia para mim,
É crime descomunal.

E lá foi nosso rapaz
Se arrastando com a lata,
A moça ali ao pé dele,
Lhe ameaçando a chibata,
Ele exclama chorando
Por amor de Deus não bata.

Vai miserável de porta
Quero já limpo isso tudo,
Um homem de sua marca
Pequeno, feio e pançudo,
Só tendo sido criado
Onde se vende miudo.

Disse o Zé quando saiu:
Eu juro por Deus agora,
Ainda uma moça sendo
Filha de Nossa Senhora,
E olhar para mim, eu digo:
Degraçada, vá embora.



 - Leandro Gomes de Barros

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Aquele empurrãozinho



Um milionário promoveu uma festa em uma de suas mansões, e em determinado momento pediu que a música parasse e disse, olhando para a piscina onde cria crocodilos australianos:
— Quem pular na piscina, conseguir atravessá-la e sair vivo do outro lado ganhará todos os meus carros. Alguém se habilita?

Espantados, os convidados permanecem em silêncio e o milionário insiste:
— Quem pular na piscina, conseguir atravessá-la e sair vivo do outro lado ganhará meus carros e meus aviões. Alguém se habilita?

O silêncio impera e, mais uma vez, ele oferece:
— Quem pular na piscina, conseguir atravessá-la e sair vivo do outro lado ganhará meus carros, meus aviões e minhas mansões.

Neste momento, alguém salta na piscina.
A cena é impressionante. Luta intensa! O destemido se defende como pode, segura a boca dos crocodilos com pés e mãos, torce o rabo dos répteis, se debate... Nossa! Muita violência e emoção. Parecia filme do Crocodilo Dundee!

Após alguns minutos de terror e pânico, sai o corajoso homem, cheio de arranhões, hematomas e quase despido.

O milionário se aproxima, dá-lhe os parabéns e pergunta:
— Onde quer que lhe entregue os carros?
— Obrigado, mas não quero seus carros.

Surpreso, o milionário pergunta:
— E os aviões, onde quer que lhe entregue?
— Obrigado, mas não quero seus aviões.

Estranhando a reação do homem, o milionário pergunta:
— E as mansões?
— Eu tenho uma bela casa, não preciso das suas. Pode ficar com elas. Não quero nada que é seu.

Impressionado, o milionário insiste:
— Mas se você não quer nada do que ofereci, o que quer então?
E o homem respondeu irritado:
— ACHAR O MISERÁVEL QUE ME EMPURROU NA PISCINA!

Moral da História:

SOMOS CAPAZES DE REALIZAR MUITAS COISAS QUE POR VEZES, NÓS MESMOS NÃO ACREDITAMOS, BASTA UM EMPURRÃOZINHO.
- Autor desconhecido
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